thomasdiz:
Eu to fazendo tudo errado;
Eu nao troquei as roupas do armario;
Meu cabelo esta do mesmo lado;
No final das contas, tudo esta errado;
Eu não li mais o livro;
Eu deixei de rezar;
Todo mundo muda;
e sempre vai errar;
Eu esqueci o sabor da sua boca;
Eu pedi carona a toa;
Todos…
“Certas vezes me preencho de uma triste vontade de me perder por aí, por algum lugar onde não saibam meu nome nem comentem sobre mim, sobre os atos que cometi ou que simplesmente foram fantasiados e a mim atribuídos. Quero apagar o passado, deixar o que já se foi trancado em algum outro universo ou dimensão, quero que o ontem seja apagado e nunca mais lembrado. Quero deixar certos sentimentos para trás. E se possível, algumas pessoas também. Só quero apertar o botão de “reset” e me dar uma outra chance pra fazer tudo diferente… Mas é tão difícil deixar essa bagagem de lembranças, fazer com que além de você ninguém mais se lembre de nada que se passou. Dói ver essas cicatrizes, internas e externas. Dói ver no espelho quem sou, quem me tornei.”
“Eu tenho medo de te chamar e você vir de verdade. Eu sempre grito seu nome baixinho sem a mínima intenção de te confrontar porque eu não quero ter de acarretar com as consequências de te ver bem. A gente se entendia, se sabia, então olha aqui pra mim, vai, só mais uma vez e me diz que ela não te faz diferença. Que a nova garota não te faz feliz, não te faz sentir aquelas idiotices no estômago. Me diz que ela tem voz de criança e que não te acompanha nos jogos de futebol. Não faz pouco caso de nós dois, não me deixa saber que você gosta do jeito que ela prende o cabelo e que ela canta de um jeito engraçado. Eu não quero saber, droga. Eu odeio o fato de que você nunca consegue ler minhas entrelinhas, de que meus vazios nunca foram preenchidos porque acima de tudo, você nunca soube percebê-los. Você nunca vai crescer. Nunca. Não enquanto todas essas garotas deitarem nos teus lençóis - numa esperança alucinógena de tentar te completar - fazendo tudo o que tua alma de moleque implora. Mas elas não sabem, não é? Que quem você quer por perto nas tardes ensolaradas sou eu. Quem você procura na multidão sou eu. Que o teu cheiro preferido é o meu. Elas não sabem que independente da lingerie que elas utilizem, você sempre vai preferir o meu moletom. E elas nunca vão saber. Porque você é inseguro demais para deixar alguém ter conhecimento das tuas falhas, dos teus pontos-fracos. Sou eu. Sou eu. Meu Deus, sou eu, acorda. Eu sou você, e você não deixa de ser eu também. Não adianta mais negar para si mesmo – a fulaninha da esquina não te faz tão bem quanto eu te fiz. E de que adianta isso tudo? Me diz. De que adianta sendo que nós continuaremos distantes? O meu medo de te chamar sempre vai reinar. E nós vamos nos perder. Como sempre acontece nessas histórias com final feliz inexistente. A diferença é que nós não somos os mocinhos. Estamos matando a chance de sermos felizes e isso não é um ato heróico. De qualquer forma, você sempre será o meu vilão favorito. E isso me mata um pouquinho, às vezes. Mas você promete manter segredo? Eu não quero deixar você morrer.”
“Eu te vi na boate semana passada. Teus cabelos não estavam mais desgrenhados, tua camiseta era condizente com o sapato, tua barba estava bem aparada e teus pés se moviam exatamente conforme a música. Tomou jeito, pensei. Prometi a mim mesma que não correria atrás e que não me deixaria abater pela tua presença. Eu consegui cara, dancei a noite todinha, beijei um homem gato e não te procurei na multidão uma segunda vez. Você estava bem, eu estava bem. Estávamos seguindo em frente e fazendo essas besteiras que a gente inventa pra fingir que não dói mais. Grande passo. Não foi assim que combinamos? Nada de ressentimento, mágoa, ou qualquer outra coisa parecida. Estávamos conseguindo. Chegamos quase lá. Quase. O problema é que o cara gato da balada tem um cheiro estranho que não é o seu, ele não me faz cócegas durante o beijo e também não faz piadas de loiras só pra me provocar. E não importando o quão clichê isso soe: ninguém jamais me fez tão feliz quanto você me fez em poucos meses. Mas, tudo bem, eu entendo. A vida é assim mesmo. A gente não ia dar certo nem daqui mil anos e não seria a ausência de teu orgulho que nos faria ir para frente. Nossas diferenças eram grandes demais, e diferentemente como acontece nos filmes, elas nos repeliram. Eu só gostaria que você nunca se esquecesse que da gente, eu nunca pensei em desistir. Eu também estava exausta, cansada, enjoada; eu também não aguentava mais. Mas desistir, eu nunca quis. Eu amava a tua falta de inocência, a tua simpatia disfarçada de rispidez, teus cabelos desgrenhados, nossas alturas desproporcionais. E eu nunca quis te deixar. Nunca. Mas você cansou, cara, cansou, e a gente não pode mais lutar contra isso. Eu sempre enfrentei monstros por você, mas dessa vez, eu me rendo. Não posso mais batalhar por uma coisa que interessa apenas a mim. Aliás, acho que o amor tem um pouco disso, digo, da exaustão, da desistência, da rendição. Você desistiu, eu me rendi. E a vida segue. E os amores também. Só me promete uma coisa? Da próxima vez que a gente se encontrar, não finja como se nós nunca tivéssemos sido algo. Nós não somos desconhecidos. Eu fiz parte da tua vida, assuma isso. Não desvie do meu caminho como você fez semana passada. Não tente preencher os teus vazios com mulheres vazias. A ideia de te ver infeliz com outro alguém me apavora um pouco. Porque a gente foi sim, muito feliz. Eu nunca vou me esquecer do seu mau gosto para se vestir, do seu cabelo desarrumado, da sua barba mal feita e de como você sempre foi um péssimo pé de valsa. Você nunca mudou por mim, mas mudou por você, e eu acho que esse é um sinal de que você cresceu.”